O aumento do poder aquisitivo, que propicia o acesso a mais opções de alimentos (nem sempre saudáveis), o sedentarismo, a culinária calórica (com influências italiana e alemã) e hábitos de vida, com pressa e sem rotina, são fatores que, para a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), podem explicar o fato de mais da metade da população de Porto Alegre estar acima do peso.
De acordo com uma pesquisa do governo federal, a Capital apresenta o maior percentual do Brasil de pessoas acima do peso ideal (55,4%).
Mudança de hábitos
Em cinco anos, Porto Alegre saltou do décimo para o segundo lugar no ranking de obesidade entre as capitais, com 19,6%.
- Precisamos retomar o hábito alimentar da comida de panela, não substituir a janta pelo lanche, por algo industrializado - observa Vânia Frantz, nutricionista da SMS.
Relação com várias doenças
A obesidade é um forte fator de risco para a saúde e tem relação com excesso de colesterol e casos de pré-diabetes. Obesos também têm mais chance de sofrer com doenças do coração, além de problemas ortopédicos, asma e alguns tipos de câncer.
Vânia explica que a SMS tem trabalhado com grupos de obesos, promovendo a reeducação alimentar, a mudança de hábitos de vida e caminhadas. O acesso se dá pelas unidades de saúde. Para as crianças em idade escolar, além do planejamento da merenda, há a avaliação para verificar se necessitam de acompanhamento nutricional.
Na luta para viver mais leve
Empolgada depois da consulta com a nutricionista, a costureira Silvana Keshuber, 48 anos, comemorou ontem com os colegas a eliminação de 1,2kg no programa Viva Mais Leve, em Gravataí. Quando iniciou, há 15 dias, pesava 88,5kg. A meta é chegar aos 60kg.
- Eu comia pouco, mas comia errado. Minha família tem histórico de obesidade, tenho pressão alta e estava sedentária. Agora, estou bem motivada. Foi uma decisão pela minha saúde - diz.
Quer mudar os hábitos
Mantido pelo Centro de Nutrição e Qualidade de Vida (CENQ), da secretaria de Saúde de Gravataí, o programa consiste na reeducação alimentar e na mudança de comportamento de pacientes obesos que, além de perderem peso, combatem problemas de saúde.
O autônomo Valdir Felipe da Silva, 57 anos, está no grupo pela segunda vez. Ele pesa 111kg, quer mudar os hábitos e abandonou o sedentarismo.
- Tudo o que eu conseguir eliminar já estarei feliz.
O programa Viva Mais Leve existe desde 2006 e é destinado a pessoas com índice de massa corporal (IMC) acima de 30. Os pacientes são encaminhados ao serviço pelo clínico geral das unidades de saúde.
- Cálculo do IMC - Para verificar se o seu peso está saudável, é preciso calcular o IMC (Índice de Massa Corporal). Divida o seu peso, em quilos, pela sua altura, em metros, elevada ao quadrado. O cálculo é válido para pessoas com idade entre 20 e 60 anos. Se for menor que 18,5 é baixo peso. De 18,5 a 24,99, o peso está adequado. Entre 25 e 29,99, indica sobrepeso e maior que 30, obesidade.
Em outras cidades
Cachoeirinha
- Um decreto de 2005 proíbe a venda de produtos industrializados (refrigerantes e guloseimas) no ambiente escolar, incentivando hábitos alimentares saudáveis. A alimentação nas escolas é planejada por nutricionistas.
- No município, há orientação e acompanhamento nutricional nas unidades básicas de saúde. Há, também, trilhas orientadas para grupos no Parque Tancredo Neves. O agendamento ocorre de segunda a sexta-feira, pelo telefone 3438-5614.
Canoas
- Quem está obeso liga para o teleagendamento e marca consulta com um clínico geral. Ele encaminha o paciente para a nutricionista, que faz o acompanhamento. Em caso de necessidade de cirurgia, o próprio clínico encaminha a um especialista em cirurgia bariátrica no Hospital Universitário. A operação é autorizada pela Unidade de Regulação da Saúde. Segundo dados do Hospital, em média são realizadas quatro cirurgias de redução de estômago por semana.
Esteio
- O município dispõe de uma nutricionista na Unidade de Saúde Caism (Rua Machado Lopes, 58) e outra atuando na Estratégia de Saúde da Família nas unidades de saúde Caic e Votorantim. Elas realizam avaliação, acompanhamento e ações educativas. Para consultar com a nutricionista, é preciso ser encaminhado por um médico das unidades de saúde do município.
- Também são realizadas palestras sobre alimentação saudável, equilíbrio alimentar e prevenção de diabetes.
Viamão
- Há grupos de diabéticos e hipertensos, além de acompanhamento nutricional a partir da indicação do clínico geral.
Sapucaia do Sul
- Oferece atendimento individual e coletivo nos postos de saúde, com apoio de um educador físico e uma nutricionista. Nos casos mais graves, o cidadão é encaminhado para a Unidade Central de Especialidades (Rua Castro Alves, 164, Bairro Santa Catarina), para atendimento com endocrinologistas.
- Nas escolas municipais, equipes de nutricionistas, pedagogos e estagiários de nutrição visitam as escolas para acompanhar o cardápio das merendas e conversar com os alunos sobre alimentação, obesidade e outras doenças.
FONTE: ZH BEM-ESTAR
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